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Bioma Cerrados

O Cerrado possui mais de 65 milhões de anos, é o segundo maior do território brasileiro, que na atualidade tem sido chamado de Cerrados, em uma perspectiva ampliada que considera as zonas de transição para outros biomas.

Abrange os estados de Goiás, Tocantins, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e São Paulo. Há ainda vestígios de Cerrado em ilhas nos estados da Amazônia e em Santa Catarina. O bioma possui a savana de maior biodiversidade do planeta, concentra 30% da biodiversidade nacional e 5% da fauna e flora mundiais.

Conhecido como o "berço das águas", é a principal fonte de água doce da América do Sul. Nos Cerrados estão localizados três aquíferos – o Guarani, o Bambuí e Urucuia, que alimentam as nascentes que dão origem à maioria dos rios dos Cerrados, evidenciando a sua riqueza em recursos hídricos. Suas águas também contribuem para o abastecimento de bacias hidrográficas, tais como: Amazônica, Parnaíba, São Francisco, Tocantins/Araguaia, Paraná e Paraguai. Também é o lar e abrigo de diversos povós originários e comunidades tradicionais cujos registros remontam pelo menos 13 mil anos.

Árvore típica do Cerrado

Além desses, também habitam os Cerrados: raizeiras, geraizeiros, retireiros, veredeiros, ribeirinhos, marisqueiras, pescadores e brejeiros, quebradeiras de coco babaçu, comunidades vazanteiras, comunidades de fundo e fecho de pasto e apanhadores de flores sempre-vivas. Os povos cerratenses têm formas de vida e conhecimentos tradicionais conectados à natureza que mantêm viva a vegetação e a fauna nos territórios. Os Cerrados são hoje o bioma mais agredido em escala nacional, superando a Floresta Amazônica em 2023. Dados do MapBiomas mostram que o bioma apresenta a maior área desmatada entre os demais, totalizando 1.110.326 milhão de hectares. Em 2022, o total de áreas desmatadas nos Cerrados foi de 662.186, o que indica aumento de 67,7%. Tal devastação se deve a alguns vetores que ameaçam a vida nos Cerrados, como: expansão em escala sem precedentes do uso da terra para monoculturas, exploração mineral e projetos de infraestrutura em detrimento do direito à titularidade da terra pelos povos originários e comunidades tradicionais; estresse hídrico ocasionado por esses empreendimentos; destruição massiva e intensiva da flora e da fauna; e insegurança alimentar e a violência disseminada por essa ruptura. A estes, soma-se o vazio de políticas públicas voltadas à defesa e promoção da sociobiodiversidade nos Cerrados. Este vazio é evidente quanto às políticas públicas de saúde, em especial para os povos e comunidades originários e tradicionais.